O Livreiro de Cabul
Em novembro de 2001, a jornalista norueguesa Åsne Seierstad entrou por acaso numa livraria de Cabul. Ela estava havia seis meses no Afeganistão cobrindo a ofensiva da Aliança do Norte contra o regime Talibã. No cenário impregnado pelas marcas da guerra, foi uma surpresa para Åsne Seierstad ter descoberto a livraria abarrotada de livros e a figura do livreiro Sultan Khan. Logo, a jornalista teria a chance de conhecer a família do livreiro, durante um jantar, e uma nova surpresa: observando as nuances daquele grupo, incomum para os padrões afegãos, ela percebeu que havia ali uma boa história. De comum acordo com o livreiro, Åsne Seierstad passou três meses com a família. Desse convívio nasceu a reportagem O Livreiro de Cabul (Editora Record), um sucesso mundial com tradução em trinta países.
Com uma narrativa em tom literário, Åsne Seierstad, de 36 anos, lança um olhar astuto sobre os costumes afegãos, em especial sobre a segregação entre homens e mulheres, num momento em que a sociedade mal se refazia do trauma de anos de dominação dos talibãs. Para poder circular com segurança por Cabul, a autora se submeteu ao uso da burca, incômodo descrito com detalhes no livro. Mas foi o ambiente de desumanidade que viu ao seu redor que a fez sofrer mais, com meninas impedidas de ir à escola para estudar, ou trabalhar, e até mesmo deixar a área onde moram. É no cotidiano familiar que histórias incríveis de opressão, submissão e morte vêm à tona. O próprio Sultan Khan (nome fictício de Shah Mohammed Rais) revelou-se um tirânico chefe de família e nos negócios, apesar de suas elevadas ambições culturais.
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Rayza
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