Coppola adaptou para o cinema o livro de Joseph Conrad, "O Coração das Trevas". A história gira em torno de Willard, um capitão americano que tem como missão eliminar um certo coronel Kurtz em meio a Guerra do Vietnã. O crime de Kurtz foi ter assumido que só a loucura era páreo para aquele horror que vivia. A trama do filme coloca em relação o civilizado e o selvagem, o racional e o irracional, onde uma definição do que vem a ser qualquer um desses extremos se torna frágil e inconsistente. O mesmo Kurt que declamava poesias é o que matava, que ornava a entrada de seu posto com inúmeras cabeças humanas. Coppola coloca o ser humano no limiar entre a erudição e a demência. Em uma das mais célebres cenas do filme vemos um coronel do exército americano ordenando um ataque aéreo a um campo vietnamita e que durante o ataque seja executada a música "A Cavalgada das Valquírias", de Wagner. Enquanto casas são explodidas, e pessoas morrem por toda parte, se ouve como trilha sonora esta obra-prima da música clássica. Ainda durante o ataque, o mesmo coronel faz referência aos vietnamitas como sendo os selvagens... Seriam mesmo eles os selvagens? Coppola emerge o espectador em um cenário onde o desespero surge por toda parte, nos ajudando a observar o inominável, o abominável e que não sabemos que somos. E no final as palavras de Kurtz resumem tudo: "O horror! O horror!"
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